terça-feira, outubro 20, 2009

CAROÇO

.
Sopro
poeira de esquina
na quina
do rosto roto
passados
deixaram marcas
em sulcos
amargos e roxos

estrias da vida
na cara

que lambida,
esfolada
me mostra
a nu

o caroço

(Elza Fraga)

segunda-feira, setembro 14, 2009

UMA PEQUENA PARADA

Estarei mais de um mes fora da net.
Volto no final de outubro. 
Fiquem na luz. Bitokitas.


                                                   

domingo, setembro 13, 2009

ALGUÉM ME ROUBOU A CENA

 .
Sentada a beira do fio
o frio quebrando o osso
na cara só  desconforto
estampado no vazio

a vida passando a frente
correndo com um fastio
de desmoronar vivente
nas farpas do precipicio

eu de protagonista
desta miséria indecente
nem dona do meu nariz

ainda

espero o excedente
olhando a margem da vida
pois tudo que agora existe

 finda


Sempre tem um
bem mais torto
que as torturas da gente
e aparece gemente
com muito mais desvario
nesta seara terrena
e nos tira do holofote
nos joga fora da arena

e rouba a nossa cena.

(Elza Fraga)

sábado, setembro 12, 2009

CRIAÇÃO

Um poeminha sem compromisso, 
respondendo ao poema do meu amigo 
querido e poeta, 
[e parceiro!]
Marco Antonio.

Deus criou
primeiro
as flores
salpicou a natureza
priorizou a beleza

depois criou os frutos
espalhou por toda a parte
pensando nas criaturas
futuras
obras de arte

colocou os animais
não esqueceu
nem a serpente

e depois criou gente
de todo feitio e cor

Então,
enquanto criava
o Criador conversava
-com quem?-
com nossa amiga
a flor!

(Elza Fraga)

************************

Eu fui de embarcação
Com minha cara da indio
Calado e sisudo
O rio fazia ruído e me olhava de sua imensidão.
Eu descia, por vezes subia na contra-mão
E tocava o infindo
com a minha mão.
Calado e sisudo o rio fazia ruído em meu coração.
E via Deus, criador da razão sem ressalvas,
da arquitetura que me extasiava.
Com quem conversara
enquanto criava?

(Marco Antonio Barbosa Ferreira)

segunda-feira, setembro 07, 2009

REMINISCÊNCIAS

.
E quando o vento
assoprava
aquele pio miúdo
que penetrava na alma
e  se engasgava no peito

a gente quedava mudo
cabeça baixa
no queixo

apertando entre os dedos
a ourela do casaco
puxando do fundo
o medo

E danava a relembrar
as coisas
[do nosso jeito]
desenterrava o desfeito

passando a limpo
o imperfeito
tirando a frio
do limbo
pedaços esparsos
do tempo

se chegando pela porta
de entrada do esquecimento

que mesmo sem ser presente
pressente
que vem tempestade

a qualquer momento.

(Elza Fraga)

domingo, agosto 30, 2009

AMNÉSIA

.
Perdoa se esqueci
seu nome
seu telefone

seu cheiro
seu jeito
seu cabelo no tapete

seu sorriso na boca farta
sua camiseta
na gaveta

Aproveita o drama
e levanta
a bunda
da minha cama

Desmama

(Elza Fraga)

quinta-feira, agosto 27, 2009

DÁ NISSO

...
Correr atras de você
a cada novo sumiço
até perder todo o viço
afinalar meus cambitos
nos becos mais movediços
forçando um compromisso
enquanto escorrega omisso

rezar na sua cartilha
ceder a sua ousadia
perder a cabeça fria
crendo até em profecia
e esperar todo o dia
que a vida por ironia
decida a revelia
trazer numa ventania
toda a sua rebeldia
pra esta cama macia
onde descanso a agonia

e atiço o meu feitiço
quietinha
sem rebuliço
só pra lhe ver submisso

Dá nisso!

(Elza Fraga)

terça-feira, agosto 25, 2009

PEDAÇOS

Tenho uma tara
inconfessa

espiar
pela janela
entreaberta

sua vida
completa

Porque os cacos
já cá estão
quebra- cabeças

na minha mão

(Elza Fraga)

SAIDA ESTRATÉGICA

.
Saí de fininho
rabinho entre as pernas
que o caso era quimera

Aah, quem me dera
você fosse a vero,

mas nada é
'o que parece'

no mundo net!

(Elza Fraga)

INVOCACIONAL

.
Sempre mergulho com tudo
e tchabum
com o bumbum no chão

irracional, animal,
irreverente
pensamentos
ausentes
ou sem medida.

Nasci sem vocação,
[certamente]
pra esta merda
de vida

(Elza Fraga)

domingo, agosto 23, 2009

SE VOLTAR

.
Eu só quero
que me deixe
uma folha de papel
uma caneta

gosto de tinta preta

e pode fechar a porta
a chave
a cadeado
e sair pra vida

E pra bebida

Se lembrar
[e não estiver
muito aluado]
ao voltar
[sonso, calado]
traga uma pizza
calabreza,
cebola e alho

sem azeitona
por favor

Que minha prisão
meu amor
tem que ter regalia
se não
eu apresso
a alforria

Pago com poesia!

(Elza Fraga)

segunda-feira, junho 18, 2007

BRIGA DES-CASADA



Ele se virou, deu as costas, dormiu, roncou.
Ela chorou, se enfureceu, xingou, esbravejou.
Ele acordou, se irritou, ameaçou.
Ela respondeu, ofendeu, explodiu, implorou.
Ele encheu o saco, se vestiu, partiu.
Ela se vingou
Saiu nua pra varanda,
se exibiu...
--------------------------------
Quem quis, viu!

(Elza Fraga)

quarta-feira, junho 13, 2007

QUANDO TE FITO

.
Vejo a luz
explodindo em cores
num infinito.
Promessa de amores
numa gama colorida
numa gana do não dito

Quando te fito!

Vejo a paz imergindo,
voltando a tona
lavada e macia,
pousando no dia
tecendo o ninho
de pão e de vinho

quando te fito!

Vejo a lua
despencar dos céus
e vir aos gritos
acordar a rua
fazer visitas
namorar maluca

quando te fito!

Me vejo nua
nestes olhos teus
que tolos
não entendem
que sou tua
me vejo quente
embolando crente
os meus favores,
trançando vida
fazendo fita

quando te fito!

E vivo morta
E morro viva
- real e sonho -
- bem e desdita –

quando te fito!

(Elza Fraga)

quarta-feira, maio 23, 2007

MEMÓRIA DE PELE

JOÃO BOSCO



MEMÓRIA DE PELE
( João Bosco )

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que
meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha
carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei,
não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça
e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que
meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
a sonhar em vão
Cor vermelha,
carne da sua boca,
coração
.

domingo, maio 20, 2007

SONHA SEMPRE




O homem começa a envelhecer
quando as lamentações
começam a tomar o lugar dos sonhos.

(John Barrymore)

ૠৣৢॐৣৢૠ॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰

Que os seus sonhos sejam maiores,
sempre, que os seus anos neste plano;
porque até deixar de respirar é
menos fatal que deixar de sonhar.

(Elza Fraga)

sexta-feira, maio 11, 2007

BIPOLARIDADE






...Deixar-me e seguir sem ser,
apenas sendo menos eu,
e mais você,
sem saber ao certo
onde acabo, onde começo...

ૠৣৢॐৣৢૠ॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰

Tudo o que tenho
Para te falar
Trago no olhar

E nem percebes.

E me esmero
em tentar ser
o que tu queres
- o que eu
não quero –
pra te enredar.

E me empenho
Nesta luta vã,
- Sem amanhã –
dos meus dois eu:
O meu
e o teu

(Elza Fraga)

sábado, abril 28, 2007

CICATRIZES

.
A vida toda
Corri atrás
De utopias

Minhas manias

Amor direito
Filhos perfeitos
Feliz pra sempre

Só não sabia

Que o tempo
Escorrendo
Frio e feio
Rasgava ao meio
Os projetos
Que eu fazia

E fiquei
Com mãos vazias
A escrever

Triste esta história

Sem memória
de dias felizes
------------------
Só cicatrizes!

(Elza Fraga)
.

sábado, abril 14, 2007

O VERSO IMPERFEITO

.
Garimpar o texto
buscar a palavra perfeita
que falta
e encaixa sonora
e dá o desfecho sonhado...

Ah, o verso é um danado
teimoso nos escorre nos dedos,
num atropelo indomado
quando tentamos alcançá-lo!

(Elza Fraga)
.

terça-feira, abril 10, 2007

ATÉ NUNCA MAIS


.
╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗
.
Todas as vezes
que alguém lhe escorraça
você busca abrigo em mim
e acha!
Quando as coisas melhoram
pro seu lado
o elo principal
é então cortado
e você zarpa
sem tchau, sem beijinho,
só ponto final!
Não lhe peço pra lavar
a minha louça,
a minha roupa,
fazer minha comida,
beijar a minha boca,
pra me prender sequer
um grampo.
Eu mesma trampo!
Eu erro os meus próprios erros
e acerto os meus acertos
então não volte,
até nunca mais,
e me deixe viver minha vidinha
mesmo emburrada,
como você diz e acha,
.
mas sozinha!
.
(Elza Fraga)
.

sábado, abril 07, 2007

PÁSCOA


Triste reparação!


Senhor
eu nunca pesquisei a Tua cor
a Tua etnia.
Não quis ler
Tua biografia.
Me ative só no principal,
Teu coração
doado em toda a dor,
pra nos fazer aprender
sobre o amor
Agora,
tanto tempo já passado,
estou aqui nesta triste missão
de Te pedir perdão.
Perdão por cada um de nós
que Te ungiu com pedras,
Te feriu,
Te olhou nos olhos
e Te cuspiu.
Perdão, Jesus,
Meu Mestre e Salvador
por toda a dor que o homem
Te infligiu
Pois este erro pertence
a mim também
por extensão,
e que o Teu renascimento
a cada ano
nos traga o arrependimento
e a redenção
Amém, Amém, Amém!

(Elza Fraga)
.
.

quarta-feira, abril 04, 2007

VIM DE CACHOEIRA


Vivo comigo, virada pro meu próprio umbigo!...


.
Não nasci pra viver nesta prisão,
nasci fadada a uma grande solidão...
Este é meu fim e meu enredo...
Seguir só, desbravando
a própria estrada,
cantando na alvorada meu segredo.
Não posso ir montada, de garupa,
juntando trapos, misturando medos.

"Dá o pé, louro"...
Eu não posso
que o meu pé foi feito pra poeira.
Respeite o meu feitio,
a minha beira,
que nasci pra lá da margem...
Aguaceira.
Não estou de forma pra comando,
nasci pro mando - sou dona da zoeira.
Aprendi a controlar a fome e o medo...
Não vim de rio, vim de cachoeira.

Não nasci pra viver nesta prisão,
vim destinada a uma grande solidão.
Respeite o meu desmando,
o meu degredo...
Não vim de palacete, vim de esteira.
Não vim de dama, vim de passageira...
Não sou madama
de casa e estoque,
sou de choupana,
de vidro e berloque...
Sou cachoeira.

Não nasci pra viver com este toque
- fêmea francesa.
Sou da vida, danada e brasileira.
Não aceito ter dono
e nem fronteira...
Não nasci pra viver no teu cangote,
tome teu bote, derive pela beira...
Recolhe o cio,
transfere teu mote...
muda o curso do teu rio
- na poeira...
Evita a queda
que sou cachoeira!

(Elza Fraga)

Publicado em "Coletânea Literária-
Casa do poeta Rio Grandense- 2006"

sexta-feira, março 23, 2007

O PÁSSARO



.
Dentro do meu peito
existe
preso
um pássaro triste.

Mesmo ferido
canta a sua dor
não emudece o canto.

E em sons tremidos
de choro contido,
por entre o canto
prega o amor...

(Elza Fraga)

terça-feira, março 20, 2007

SOU POETA


Quero correr pelas ruas
vagando descalça...
Incorreta...
Com a minha alma nua
pois sou criança:
Sou poeta!
(Elza Fraga)
Todo poeta traz a alma solta, correndo ao vento!

domingo, março 18, 2007

O POEMA CONCISO



.
Queria escrever
o poema
conciso
preciso
que em poucas linhas
contasse de mim
falasse meus medos,
desejos
anseios
esboçasse um final feliz,
reticências
e fim!

(Elza Fraga)

domingo, março 11, 2007

DESCANSO

.
Enquanto me entrego
e me estrago num poema
o dia, com pena de mim,
faz assim
esconde o sol
atrás do horizonte
e joga,
por misericórdia,
a noite
em cima de mim!

(Elza Fraga).

quinta-feira, março 08, 2007

MULHER

No dia internacional da mulher parabéns a todas e aos homens que sabem entendê-las!

.
"A mulher é feita
da essência de todas as rosas.
Da leveza de todos os pássaros.
Da harmonia da brisa suave.
Da força das tempestades.
Da ferocidade dos ventos.

Desta perfeita mistura
nas doses exatas
nasceu esta criatura
de extremos...

Ser mulher é ser um mundo
de sentimentos controversos,
mas saber que,
lá no fundo,
o amor
é o único caminho
certo!"

(Elza Fraga)

sábado, fevereiro 24, 2007

O PRÓXIMO



.
Todos se foram!

Não fizeram barulho.
Não arrastaram mobílias.
Não gritaram revoltas.
Não cresceram a família.
Não bateram a porta.
- Estranhos mistérios...

Responderam as perguntas
com a mesma resposta:
-"Acabou o carinho,
o amor foi embora
sem motivo..." Ilógico.

Olhando a janela-
a cadeira vazia
balança vadia
esperando
- eterna e muda -
o próximo...
Por favor -
o próximo!

(Elza Fraga)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

TER E NÃO TER


Eis a questão....

.
Tira a roupa do varal
vem aí o temporal
- o maior da tua vida!...

Deixa a comida na mesa,
requentada, com certeza,
que vem aí o glutão
que comanda teu cordão
- marionete ferida...

Aquece o leito gelado
esfria a tua razão.
Desnuda o peito mirrado
que vem aí o teu medo
- o macho que te consome...

E dorme -muda-de fome
de um sabor verdadeiro
de homem!

(Elza Fraga)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

ATEMPORAL

.
[Não nasci e não morro, fico em forma de poesia.
O tempo só assusta a quem o desafia.]

A vida que escorre e passa
rodopiando ao vento
não me traz o sentimento
do medo da cavalgada
do tempo...

Nasci sem forma ou idade,
sem data de validade,
a minha identidade
é ser mata no temporal!

Árvore no chão fundida
podando as marcas vividas
estranha e atemporal.

Não trago mágoas da vida
na pele que vim vestida
listrada de bem e mal

em igual
medida.

(Elza Fraga)

sábado, fevereiro 17, 2007

INSANIDADE SADIA


A poesia traz sempre a insanidade doce,pois esta só pertence as crianças e aos poetas...

.
Todo poeta nasce insano,
cresce,
tece poemas,
entra ano e sai ano!

Todo poeta vive insano,
enche a cara e fita o céu,
escreve trovas, cordél,
sonetos, por garantia
de fazer boa poesia.

Todo poeta morre insano
e deixa escrito, de epitáfio:
"Aqui jaz a (in)lucidez
de um poeta temporário
a quem os poemas
que fez
trouxe loucura e vida...
Trouxe sonhos,
o fez amado...

Viveu feliz o coitado!.

(Elza Fraga)

sábado, fevereiro 10, 2007

UMA BENÇÃO CELTA


Por John O´Donohue

.
No dia em que o peso amortecer-se
Sobre teus ombros e tropeçares,
Que a argila dance para equilibrar-te.
E, quando teus olhos congelarem-se
Por trás da janela cinzenta,
E o fantasma da perda chegar a ti,
Que um bando de cores Índigo, vermelho, verde
E azul-celeste,
Venha despertar em ti
Uma campina de alegria.
Quando a vela se esfiapar no barquinho
Do pensamento, e uma coloração
De oceano escurecer abaixo de ti,
Que surja por sobre as águas
Uma trilha de luar amarelo
Para levar-te a salvo para casa.
Que o alimento da terra seja teu,
Que a claridade da luz seja tua,
Que a fluidez do oceano seja tua,
Que a proteção dos antepassados seja tua.
E, assim, que um lento vento
Teça estas palavras de amor
À tua volta,
um invisível manto,
Para zelar por tua vida.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

CANTAR ME ENLOUQUECE


RABINDRANATH TAGORE

.
Quando me ordenas cantar,
parece que o meu coração vai arrebentar-se...
Pensei que poderia te pedir a grinalda de flores que levas no pescoço...
Essa que ficou sempre na profundidade do meu ser...
A minha libertação...
Daqui por diante eu me expressarei em sussurros...
Cantar me enlouquece...
Quando me ordenas cantar,
parece que o meu coração vai arrebentar-se de orgulho.
Então contemplo a tua face e as
lágrimas me vêm aos olhos.
Tudo o que é duro e dissonante em minha vida se dissolve
em única e doce harmonia,
e a minha adoração abre as suas asas,
como um pássaro alegre voando sobre o mar.
Sei que tens prazer no meu canto.
Sei que posso chegar à tua presença apenas
como um cantor.
Com a ponta da asa imensamente
aberta do meu canto eu roço os teus pés,
que eu jamais poderia querer alcançar.
Embriagado pela alegria de cantar,
esqueço a mim mesmo e te chamo amigo,
tu que és o meu Senhor.
Pensei que poderia te pedir a grinalda de flores que levas no pescoço,
mas não me atrevi.
Fiquei esperando pela manhã,
quando tivesses ido embora, para encontrar pedaços dela no leito.
E fiquei na madrugada feito mendiga,
procurando uma ou duas pétalas caídas.
Coitada de mim, o que foi que
encontrei?
O que me restou do teu amor?
Nem flor, nem perfume, nem jarro de água perfumada...
Apenas a tua espada
poderosa, flamejante como chama e pesada
como raio na tempestade.
A luz jovem da manhã entra pela janela e se derrama em
teu leito. O pássaro da manhã começa a
cantar, e me pergunta:
"Mulher, o que é que encontraste?"
Não, não foi uma flor, nem perfume e nem jarro de água
perfumada.
Encontrei apenas a tua espada poderosa.
Sento-me e fico cismando, admirada com essa tua dádiva.
Não acho lugar onde escondê-la.
Tenho vergonha de usá-la, tão frágil sou,
e ela me fere quando eu a aperto contra o peito.
Mesmo assim, porém, eu levarei no meu coração
esse honroso fardo de dor,
que é a tua dádiva para mim.
Doravante nada mais temerei neste mundo,
e tu conquistarás a vitória em todas as minhas lutas.
Deste-me a morte por companheira,
eu vou coroá-la com a minha vida.
A tua espada está comigo para cortar as minhas amarras,
e nada mais temerei neste mundo.
Doravante eu abandono todos os adornos fúteis.
Senhor do meu coração,
não vou mais ficar esperando ou me
desesperando pelos cantos, e nunca mais
vou ser tímida ou caprichosa.
Deste-me como ornamento a tua espada.
Não preciso mais dos enfeites de boneca.
Essa que ficou sempre na profundidade do meu ser,
no crepúsculo de vislumbres e percepções momentâneas;
essa que jamais retirou seus véus na luz da manhã,
essa irá ser a minha última oferenda a ti, meu Deus,
envolta na minha canção final.
As palavras a cortejam, mas não conseguiram vencê-la,
e a persuasão inutilmente estendeu para ela os seus braços ansiosos.
Vaguei de país em país, conservando-a no íntimo do meu coração,
e ao redor dela a minha vida ergueu-se e caiu,
ao mesmo tempo forte e frágil.
Embora habite sozinha e afastada,
ela sempre reinou sobre todos os meus pensamentos
e ações, sobre todos os meus sonos e sonhos.
Muitos bateram à minha porta, perguntaram por ela,
e foram-se embora, sem esperança.
Ninguém no mundo conseguiu vê-la face a face,
e ela continua em sua solidão,
à espera do teu reconhecimento.
A minha libertação, para mim, não está na renúncia.
Sinto o abraço da liberdade em mil laços de prazer.
Daqui por diante eu me expressarei em sussurros......
Gastei muitas e muitas horas na luta entre o bem e o mal.
Mas agora o prazer do meu companheiro de jogos nos dias vazios
é atrair o meu coração para o seu.
E eu não compreendo por que esse repentino
convite para não sei qual inútil inconseqüência!
Cantar me enlouquece,
e se eu me desfizesse todo num vôo
de canção,
nada me pesaria tanto...

(Tradução de Ivo Storniolo)

sábado, fevereiro 03, 2007

PAI NOSSO ARAMAICO





A oração ensinada por Jesus
.
Pai Nosso Aramaico

Abwun d'bwashmaya
Nethqadash shmakh
Teytey malkuthakh
Nehwey tzevyanach aykanna d'bwashmaya aph b'arha.
Hawvlan lachma d'sunqanan yaomana.
Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph
khnan shbwoqan l'khayyabayn.
Wela tahlan I'nesyuna
Ela patzan min bisha
Metol dilakhie malkutha wahayla wateshbukhta
l'ahlam almin.
Ameyn

segunda-feira, janeiro 29, 2007

PRECE DA PAZ

.
Yevarechechá Adonai
veishmerêchehá
Iaêr Adonai panáv
elêcha vichunêka.
Issá Adonai, panáv
elêcha veiassêm
lechá Shalom!♥

¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬

O Senhor te abençoe
e te guarde.
O Senhor faça resplandecer
o Seu rosto sobre ti,
e tenha misericórdia de ti.
O Senhor sobre ti levante
o Seu rosto e ponha
em ti a paz!PRECE DA PAZ

segunda-feira, janeiro 15, 2007

POEMA DA GATA TRISTE

Poema para não enlouquecer

.
Éramos duas apenas
irmãs em todas as horas,
emboladinhas bem perto
das mãos dos nossos afetos...
Não saíamos pra rua,
nunca vimos uma estrada,
não sabíamos que o homem
é a real fera acuada...
É a grande ameaça!...

Um dia os afetos partiram,
expulsas por covardia,
ficamos as duas unidas,
nos bastando em companhia...

Logo depois a maldade
que mora no ser humano,
tirou uma de nós duas,
a irmãzinha querida
tirou de mim,
tirou da vida...
Acho que ele pensou
que "Deus fosse" e,
com certeza,
resolveu que era a hora
dela ir para outro planeta!

Ela está lá no céu,
se existe céu de gatinhas,
e eu aqui tão sòzinha,
desamparada e com medo...
Só contem este meu segredo
-este do meu temor-
se eu sumir pro infinito,
como aconteceu
com a irmãzinha querida
que Papai do céu me deu.

(Elza Fraga )

Este poema não tem pretensões literárias,
não quer seguir carreira, ficar famoso...
A sua única intenção é esvaziar a dor!
.

sábado, dezembro 30, 2006

ESPERANÇA


.
Lá bem no alto do
décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada
miraculosamente incólume
na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome,
meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho,
para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
(Mário Quintana)

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética",
Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118

sexta-feira, dezembro 29, 2006

A EVOLUÇÃO DA FORMA


Nascer, viver, morrer e recomeçar sempre...
.
Toda forma que vês
tem seu arquétipo no
mundo sem-lugar.
Se a forma se desvanece,
não importa, permanece o original.
As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se
nenhum dos dois se detém?
A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra,
correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões
a água deste rio.
Que a água não seca,
ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado
de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre "Um" com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.
- Rumi
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos",
do brilhante poeta sufi Jalal Ud-Din Rumi;
Editora Attar).

terça-feira, dezembro 26, 2006

POEMA PARA OS TEUS OLHOS

.
Teus olhos seguros, maduros,
incomensuráveis
tem estrelas...
Brilham dentro da minha cabeça.
Desnorteiam...Incendeiam...
Esmorecem a minha vontade...

O desejo -dos teus olhos- arde.
Comicha...Coça...Belisca...
Me atiça...Dá preguiça...
Faz saudades.

Que cor terão teus olhos
de planicie
que, desenhados por minha emoção,
ficaram gravados,em cinza,
na minha alma?...

Ah!...Não sei que calma é essa
que teus olhos passam,
além de estrelas:
Milhares e milhares delas...
Estrelas nuas - molecas e poetas.

Teus olhos não são dias,
são noturnos...
E como é soturno o poema
que te faço,
deitada num quarto,
quase escuro...

E me acabo.
E passo!

(Elza Fraga)

segunda-feira, dezembro 25, 2006

MAIS UM ANO SE INICIA


Feliz 2007

.
Ele chegará, manso, dócil, especial...
E cada um dos seus dias será melhor e mais iluminado que o anterior.
Cada dia passado nos deixando um pouquinho mais sábios,
ou um pouquinho menos ansiosos.
Aprenderemos, em cada um deles, uma coisa nova e importante,
que nos servirá de lição pro resto de nossas vidas.
E quando ele chegar ao fim suspiraremos e choraremos a sua ida,
como sempre fazemos a cada um que se acaba.
E recomeçaremos novamente, felizes por estarmos vivos,
felizes pela oportunidade do aprendizado e de se poder,
ainda, consertar o que erramos.
Neste que chega depositamos a esperança...
Neste que se vai deixemos partir, junto,
as mágoas, os sentimentos de dor e desamor.
Com certeza teremos um maravilhoso 2007.
Bitoquitas de determinação, força e luz.

(Texto de Elza Fraga)

sábado, dezembro 23, 2006

FELIZ NATAL!

Feliz aniversário, meu amado Mestre

.
Um Feliz Natal e um próspero ano novo a todos nós
que combatemos o bom combate.
Que as minhas bitoquitas de luz atinjam cada face,
numa explosão de cor e harmonia.
Que Papai Noel lhe traga paz, saúde, amor,
condições de sobreviver com dignidade
e muito carinho a sua volta...
Mas que não esqueçamos de brindar ao
aniversariante:

"Feliz aniversário, Meu Mestre de Luz,
meu amigo, minha lanterna sempre acesa
nos caminhos escuros,
meu amado Jesus!"

(Texto de Elza Fraga)

terça-feira, dezembro 19, 2006

INDIGNAÇÃO NACIONAL










Cuidado!!! O povo um dia se cansa!



Sem ceia na mesa
Sem reunião,
sem festivos risos,
sem amigos...
Só a solidão, 
a indignação
e a insensatez;
Pois sei que o que falta 
a minha mesa
rola farto na de vocês,
senhores do poder e do Brasil.
Desejo que o novo ano 
que se achega
traga vergonha na cara,
pudor e consciência,
para cada um que com o voto
se elegeu, se empregou,
neste emprego onde se esconde 
a covardia.
Feliz Natal, 
deputados, senadores...
Bom ano novo, "meus senhores".
E que continuem cutucando,
com a vara curta da hipocrisia,
um povo, por enquanto,
ainda ordeiro...
E que nós todos,
orgulhosos brasileiros,
aprendamos a dizer não
e a expulsar deste podre poder
quem recebe apenas para ver
do andar de cima,
o caos, a desordem,
o desatino,
de sofredores eleitores.
E rezem muito pra que
a coisa não desande,
pois os desmandos
são tamanhos,
que vai ser muito difícil
segurar toda a revolta.
Cuidado!
Isso que os senhores andam fazendo,
vai ter troco,
vai ter volta!!!

(Elza Fraga)

domingo, dezembro 17, 2006

ARISTÓTELES

Antigas, ainda na validade



“Quando não há classe média e o número de pobres é excessivo, os problemas aparecem e o poder logo chega ao fim”.

Aristóteles, filósofo grego

sexta-feira, dezembro 15, 2006

APOLÍTICA, NÃO CEGA



Pobre povo... Pobre país...

.
Este email foi mandado para a lista de parlamentares que votaram o exorbitante aumento para os seus próprios salários,
façam o mesmo, reclamem enquanto ainda nos deixam reclamar,
quem sabe a luz brilhe dentro da cabecinha destes senhores?

Aos senhores parlamentares que decidiram reajustar salários do
Congresso - 91 %

Gostaria de pedir aos senhores que tivessem a bondade de reajustar
o salário de cada trabalhador brasileiro, que ganha em média entre
R$ 350 e R$ 1.200 na mesma proporção que reajustaram os próprios,
pois a isso se chamaria de justiça!
Se o Brasil pode pagar os aumentos dos senhores que,
a bem da verdade, fazem praticamente nada,
por que só o aumento de quem rala de verdade seria capaz
de desestabilizar a economia do país?
Se conseguirem me responder a esta pergunta me conformarei
e não lhes perguntarei mais nada, pois sei que os senhores
vivem extremamente ocupados viajando para as suas bases
em época de eleições.
E vivem extremamente ocupados em votar aumento de salário próprio após terem sido eleitos pelo povo,
este mesmo povo que, burramente, votou nos senhores.
Passem bem enquanto o povo passa fome ou vive de bolsa esmola.
E durmam com as consciências tranquilas como as de crianças,
pois o aperto de um povo espoliado, onerado com uma das
maiores taxas de impostos do mundo, tanto em grana
quanto em quantidade deles,
não lhes afetam em nada.
Afinal o povo está aí pra isso mesmo:
Dar o couro para que se faça a mordomia de alguns poucos privilegiados..
É só um desabafo, de nada adiantará, porque a voz do povo não é escutada, sempre foi assim, em todas as fases da história do mundo.
Nada pessoal ou direcionado a qualquer um dos senhores,
isso pertence a quem vestir a carapuça, pois foi-me impossível
separar o joio do trigo...

Cordialmente de quem apenas está cansada de contar
moedas e viver desempregada fazendo bicos enquanto
vê tantos absurdos com o dinheiro público.
Paz e bem

(Elza Fraga)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

SOLIDÃO DE NATAL

















Publicado em "Antologia de poesias da Zona Oeste, RJ"

.
Segura este teu cio idiota.
Tira esta bota, coloca na janela...
Papai Noel, em reluzente sela,
há de vir a cavalo por aí.
Acredita - bobo - em heróis e fadas,
que os duendes e os anões são sensações
dos teus quadrinhos de histórias engraçadas.

Segura o cabo da vassoura, pega a fada,
pelos longos cabelos : Rapunzel.
E a transforma em bruxa, doce e fel,
montando a pêlo suas ancas na calçada...
E escreve no papel tuas verdades,
e esta fome, que te rói e arde,
joga pros ratos, embrulhada em mel.

E faz com tua mão a mulher que mereces...
Sensual, leviana, se assim te apetece...
Desenha, Criador, na madrugada fria
a mulher cobiçada de afoitas magias.
Tua noite de orgia...
Teu Natal armadilha.

E multiplica por mil teu desejo
que a única amante que te sobra e cabe,
e o único beijo que te presta a lingua
é a solidão choramingante
da mingua do quarto...
É o calor do corpo nu, solitário e ardente,
anseios frementes de pura aguardente...

Rola o corpo quente
desfazendo tua cama,
enquanto a mão direita brinca de que ama
passeando, lasciva, secretos caminhos...
Enrola na mão o púbis de vinho,
inequívoco apelo da tua criação...
Teu Natal ficção!

E depois dorme e sonha com heróis cavaleiros,
menino de novo
esquecido do medo
do castigo do corpo,
em total desmazelo
no desalinho do gozo...

Esqueça teu mito:
Mulher de papel.
Teu sonho acordado, o inevitado,
e espera aquietado teu Papai Noel
de lança e cavalo
caindo do céu
no chão do teu quarto!

(Elza Fraga)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

FELICIDADE










.
É preciso cultivar a vida, após plantá-la,
firmemente, em solo fértil.
Regá-la, adubá-la com carinho e respeito,
fazer de cada folha nova uma esperança,
de cada galho podado uma página virada e,
principalmente, saber que ela tem que ser vivida,
dia a dia.
Não podemos ficar lá atras em lembranças inúteis...
Não podemos nos projetar a frente do tempo,
correndo em busca de melhores horas...
É cultivar cada dia com o que trás de bom
ou de lição.
É dar sombra aos que estão ao nosso lado.
É preciso entender que somos apenas
uma pequena parte da floresta:
Um arbusto, uma erva curativa,
alguns uma árvore forte;
mas apenas parte.
O todo se faz da união dos nossos ramos com
os ramos alheios.
Que a gente consiga se integrar,
sem hesitação, ao todo;
só aí conseguiremos a plenitude
da harmonia e da paz...
E a isso se chama felicidade.
Bitoquitas de um dia meio lusco fusco.

(Texto de Elza Fraga)

domingo, novembro 19, 2006

MODERNIDADE



O retrato do caos

.
(Esta poesia foi feita especialmente para a
minha priminha de Marília, SP,
Mariana Fraga Santarelli.)

Rolando nossas próprias ribanceiras,
Somos as pedras na esteira do caminho,
Chegando ao estado imaginário,
Sinal vermelho – final de estrada
Ninguém mais segue...
Nada mais passa!

“Cada um por si!”
Agora é a hora
De se cortar, de vez,
com esta antiga história.
Ou se dá uma guinada radical
Ou vamos, todos, ser reféns do mal.

A violência, a guerrilha,
O lixo urbano...
A saudade do idealismo, tonto,
dos vinte anos.
A sanidade, companheira do passado,
Que ficou morando lá pra trás,
E esse caos a tudo revirando!

Neste mundo moderno
e meio louco,
gente esvaziada de valores,
infladas de egoísmo,
onde mais vale a sordidez e o cinismo,
em que nem se estende a mão para um amigo
por vergonha, timidez ou comodismo ...

É neste mundo que,
infelizmente,
terei que deixar meus amores,
meus afetos,
minha gente
– filhos e netos-
Que precursores imagino
de uma sociedade diferente;
quando tiver que fazer
minha saída
pela porta estreita,
da sorte ou da desdita,
que alguns, tolos,
chamam de morte
e eu, simploriamente,
chamo de Vida!

(Elza Fraga)