Terça-feira, Dezembro 06, 2011

PETIÇÃO A DONA CHUVA




(da série poemas pra infância)


Chuva chuvinha chuvão
chove aqui na minha mão
chove vinda do céu
água pura chove ao léu
Molha meu pé, varre o chão
da secura do sertão
molha as plantinhas miúdas
que as grandes te buscam
subindo
por um espiral Divino
pois ensinaste o caminho
na tentativa bendita
de não matar tanta vida

Chuva chuvinha chuvão
lava a alma e o coração
de toda a gente que suja
a vida de confusão
limpa as artimanhas
dos que só vivem na manha
e esquecem o irmão
dormindo nas tuas águas
nas esquinas, nas calçadas.

Chuva chuvinha chuvão
só não jogue abaixo a terra 
onde ainda se equilibra
quem construiu seu teto
de madeira e papelão
pois olha aqui, dona chuva,
tem gente que tem alma boa
mas tem má situação
e nem comida na mesa
tem não
[as vezes nem tem a mesa]

não joga este povo no chão
mesmo sendo por pedido
e petição
do revoltado planeta
conversa com ele, chuva,
explica a situação
e serás abençoada
por tanta boca sincera

que pode ser esta a receita
pra gente salvar a Terra

Obrigada dona chuva
de toda a gente miúda
que se acotovela ossuda
lutando atrás do seu pão.

(elza fraga)

...

Quinta-feira, Novembro 17, 2011




(Da série verdades que só eu sei)

Corri 
muito tempo
nas campinas
do vento

cavalguei o erro
todo o tempo

vagando
no charco
que sobrou

Se agora aguento
a dor
sem sofrimento
[e ainda agradeço]

é porque sei

Foi o cabresto
que Deus me botou


(Elza Fraga)
.

LIBERDADE




Se você soltar os pássaros 
eles voltam sempre 
até a sua janela 
e, em agradecimento, 
pousam nela
por um momento
ligeiro.

e você não os perde. 

Se prendê-los 
eles cantam todo o tempo, 
porque sabem que assim 
apressam o fim,
buscam na morte 
a liberdade e o abrigo.

É a sabedoria de quem entende 
que ser liberto vale mais 

do que ser vivo!


(Elza Fraga)

A AFOGADA





Sentenciaram a poesia
a morte lenta
a deixaram 
a revelia
batendo os cascos no cais
do esquecimento

E o poeta
mudo de fome
e frio
no mar do eternamente

quedou vazio
engoliu palavras
quieto
afogou o verso

Calou pra sempre!


(Elza Fraga)
.

Quinta-feira, Novembro 10, 2011

VIGÍLIA






Fico de longe
a espreitar

teu cio



perdi o medo

do teu olho

de vazio

Agora sei

o vento
da gravura

não dá frio

(Elza Fraga)

Sexta-feira, Novembro 04, 2011

O ÚNICO AMIGO








 

Quando tudo
te parecer perdido
quando não mais contar
a mão cheia de dedos
os amigos
quando te virarem as costas
e te deixarem ao sol
inclemente

olha tua própria sombra 
segue com ela
pois este
é o presente
maior
que Deus deixou

como compromisso 
e abrigo.
E nela é o próprio Deus 

que caminha contigo.
(Elza Fraga)

Quarta-feira, Setembro 21, 2011

POEMA DO NUNCA MAIS





Tem dias
que a poesia
renega o poeta
e pronto

proseia
fecha o cerco
mente
cerceia a festa
e ponto

só que final
antes do começo

Isso dá um medo
do pra sempre!

(Elza Fraga)

FAZ PARTE

Dora Maar with Cat de Pablo Picasso
 
Sofrer faz parte do enredo
segura a dor calada
antes isso

do que enterro.

(Elza Fraga)

Domingo, Setembro 18, 2011

VIDA PASSADA

 
 ...
Hoje acordei
com uma estranha saudade 
de mim

Da que era
em outras eras

boneca cheirando a jasmim

Procurei o mais fundo
dentro deste mundo
eu
de cartas postas
espalhadas na quina
da curva da esquina

e só achei

o peso das costas
longe

no aceno de 
adeus

(Elza Fraga)
 
 

Sexta-feira, Setembro 16, 2011

BEM FEITO!



[da série meus piores momentos]


Quando me for
segure o choro,
por favor.
Sincero ou espremido!

Prefiro a prece,
que é benesse
oferta ao morto,

Mesmo que seja um torto
abatido em pleno voo
pelo peso dos defeitos
e mal feitos...

tente ser generoso
evite o
"Bem feito!"

(Elza fraga) 

Domingo, Fevereiro 06, 2011

E EU NEM CONHEÇO NOVA IORQUE

..
Quem vai  debruçar
em minhas mãos,
enlaçar um terço,
rezar uma oração
com a simplicidade
dos que oram
sem pranto,

só com o coração?

Quem,
enquanto espero
a saida
finalmente,
vai olhar meus olhos
como crente
com amor, respeito
ou devoção?

Quem,
diferente dos demais mortais,
vai lembrar da morada espiritual
a casinha
de janela amarela
com jardim
que sempre sonhei pra mim
depois da ida?

Quem vai chorar a minha morte
se eu nem conheço Nova Iorque?

(Elza Fraga)

..

Quinta-feira, Agosto 26, 2010

NO FUNDO D'UM OLHO SECO


http://www.livropronto.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=385






 




Enfim o livro parido, obrigada a todos que ajudaram com apoio, amor, incentivo...
Grata por toda a energia  positiva enviada para que eu pudesse ter forças e superar os obstáculos.

Bitokitas de toda a Luz!


Elza Fraga

Quinta-feira, Agosto 12, 2010

O QUE É MEU

Não tenho nome,
cor, raça.

Só trago a graça
de ter nascido
neste planeta,
humana,
terrena,
pequena,
para aprender
a me perdoar
a perdoar
aos
que me completam

Que me encheram
ou esvaziaram
de conceitos

Fazer girar a roda
outra vez
talvez
mais outra
e outra mais,

quem saberá
o quanto tenho ainda
a debitar?

De meu tenho
apenas
pra levar
este peito,
[coração guardado]
que quero largo,
iluminado,

dado por Deus.

(Elza Fraga)

...

Sábado, Julho 31, 2010

INSTANTES MORTOS


Salvador Dali [Person at the Window]
.
Escreverei
[e quanto!]
coisas prestáveis
e nem tanto

coisa de riso
coisas de pranto

e os incautos
ao lerem os meus versos
dirão de mim

Foi só uma poeta sonhadora
que pensava entender
todo o universo
mas, no fundo,
era apenas uma tola
que rabiscava versos

no  afã
de exorcizar seu mundo
completo
de fantasmas
e de dores,
nunca amores


Mas eu saberei
[por todo o tempo]
a verdade
morante em cada linha
versejante

É só a tentativa
alucinante
de beber

felicidade
a cada torto
instante

morto!

(Elza Fraga)

DORME MENINA...


Pablo Picasso [BlueNude]



( Quero alguém pra me encantar,
cantando para que eu durma,
um acalanto de infância,
como se eu fora criança,
outra vez!)

Ninguém escuta o grito
que a dor não mais sufoca
e escapa boca a fora
pela porta
da garganta aberta

Ninguém pergunta qual a hora certa
pro curativo
de estancar feridas
tão sangrentas
ninguém aplica o remédio certo
ninguém por perto!

E sigo com o olho a saltar
da cara
tamanha a dor
que meus miolos fervem
dentro do centro
da cabeça imensa.

Todos surdos
todos mudos
todos sem tempo
pra me embalar e cantar
até a dor partir...

Dorme menina
que o bicho vem aí
pegar menina feia
que não consegue mais dormir

(Elza Fraga)

Segunda-feira, Maio 24, 2010

O TEMPO ME COBRA O TEMPO INTEIRO

O tempo urge

e ruge
a minha porta
o seu grito
esbaforido:

-Deita
e fica morta

sem ansiedade
ou culpa

que prometo
a eternidade
como desculpa

pra poemar
seus versos

em rimas

despejar seu coração
ranzinza

sentada

numa nuvem de algodão

(Elza Fraga)

Sábado, Maio 22, 2010

AINDA

Um dia 
todos
saberemos
o que há
afinal
atrás do muro
da vida...


Nem é tão escuro
como percebemos
daqui
deste chão
que a gente pisa

Descobriremos
o quanto fomos
tolos
ao não parar
pra cheirar as flores
do caminho.

De sorver o vinho
de beber o ar do dia
chuvinhento
de se despir ao vento!

A vida continua
Apesar das nossas idas
e vindas.

Nem a morte para
o relógio do tempo

ainda!

(Elza Fraga)

Terça-feira, Maio 04, 2010

SERVIÇO COMPLETO


Quando saiu
da minha vida
sem despedida
sem sinal sem rastos
apenas partiu

fez serviço completo...

Quando me apartou a alma
dos meus  restos
Você levou consigo
e nem sabe
os meus últimos

e derradeiros versos.

(Elza Fraga)

UM SOLTO _ LOUCO_ NO VENTO

Eu tinha um homem,
atado a corrente
por pura vontade

[dizia, todo o santo dia,
é pra sempre]

Num dia de ventania
Soltei por caridade

ele, de um pulo só,
me abocanhou
na jugular

[sem titubear]

antes de sumir
no escuro da cidade

Coitada da próxima
que acreditar
no olhar tão triste
dentro da cara
fingida

[é chamariz]

e abrigar
por bondade
o infeliz

tá é phodida

(Elza Fraga)

Sábado, Maio 01, 2010

DITADO

Escreva aí:
-Tudo na vida passa
ponto

Agora
levanta e saia

e não esqueça
vista a calcinha
e
abaixe a saia.

(Elza Fraga)

Sábado, Abril 24, 2010

DIA RECORRENTE

Sonho recorrente
não é só o que
repete
repete
repete

como artilharia

sonho recorrente
é o que repete a gente

durante todo o dia

(Elza Fraga)

Quarta-feira, Abril 21, 2010

A CARA DA DONA MORTE

Desejei
com tanta fé
a morte

na hora do desespero
da dor do medo

que ela veio,

bateu a minha porta
entrou
sentou no leito
me aninhou no peito

pegou a minha mão,
com bondade
me consolou

me agasalhou
com a coberta
da piedade

e quando eu já
me julgava
praticamente morta
de verdade

ela riu,

saiu correndo
gritando

Primeiro de abril
Primeiro de abril

Mas conheço agora
a figura

e mesmo sendo ela
uma doida,
sem compostura

da próxima
ela não rapa
fora
e nem me escapa

Me mata!

(Elza Fraga)

Domingo, Abril 04, 2010

PERDAS

Queria tanta coisa que não fui,
não coube no tempo

e agora que já não há mais jeito
de retornar refazendo
morro de pena de ter perdido

tudo no vento!

(Elza Fraga)

Terça-feira, Março 30, 2010

POEMA BOBO PRA NENEM DORMIR



Este cachorro inquieto
é muitissimo esperto.

Rói o osso
a descoberto
se não tem ninguém por perto

Dorme e ronca no sofá
Late quando estou dormindo
estraçalha os chinelos
faz xixi no meu jornal
come as plantas do quintal
avança em qualquer farelo.

Pula em cima das visitas
lambe, cheira, beija e grita
seu uivinho infernal,
rasga todas as revistas

Balança o rabo tão lindo
que ralhar
quem haveria?

E eu
sua presa confessa
não o trocaria
por nada

Esta criaturinha arteira
vale toda a trabalheira.

E em quantas vidas vier
quero trazer de amuleto
este branquinho travesso

Eu mereço!

(Elza Fraga)

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

FUGITIVA

.
Pensei em me mudar pra longe,
lá onde nada alcança,
nem luz das estrelas,
nem olho de amigo,
mas descobri que a minha alma
arrumou as suas próprias dores
e as tralhas
pra seguir comigo,

desfiz as malas,
guardei os panos de bunda
nas gavetas,
recoloquei
tudo que era meu,

afinal
era da própria alma
que fugia eu!

(Elza Fraga)

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

COMO VAI?

.
Se perguntam
como vai
digo logo

Não vou a lugar algum,
a vida empurra
os desavisados
a turba segue sem rumo,

e tô na roda
procurando prumo.

(Elza Fraga)

Domingo, Novembro 01, 2009

APENAS UM VIDA

.
 Nasceu, floresceu, 

criou raízes, 

sem adubo certo 
morreu. 



Preencheu o meio 

com homem, cachaça, 
maré alta e poesia, 



não era de calmaria! 



(Elza Fraga)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

CAROÇO

.
Sopro
poeira de esquina
na quina
do rosto roto
passados
deixaram marcas
em sulcos
amargos e roxos

estrias da vida
na cara

que lambida,
esfolada
me mostra
a nu

o caroço

(Elza Fraga)

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

UMA PEQUENA PARADA

Estarei mais de um mes fora da net.
Volto no final de outubro. 
Fiquem na luz. Bitokitas.


                                                   

Domingo, Setembro 13, 2009

ALGUÉM ME ROUBOU A CENA

 .
Sentada a beira do fio
o frio quebrando o osso
na cara só  desconforto
estampado no vazio

a vida passando a frente
correndo com um fastio
de desmoronar vivente
nas farpas do precipicio

eu de protagonista
desta miséria indecente
nem dona do meu nariz

ainda

espero o excedente
olhando a margem da vida
pois tudo que agora existe

 finda


Sempre tem um
bem mais torto
que as torturas da gente
e aparece gemente
com muito mais desvario
nesta seara terrena
e nos tira do holofote
nos joga fora da arena

e rouba a nossa cena.

(Elza Fraga)

Sábado, Setembro 12, 2009

CRIAÇÃO

Um poeminha sem compromisso, 
respondendo ao poema do meu amigo 
querido e poeta, 
[e parceiro!]
Marco Antonio.

Deus criou
primeiro
as flores
salpicou a natureza
priorizou a beleza

depois criou os frutos
espalhou por toda a parte
pensando nas criaturas
futuras
obras de arte

colocou os animais
não esqueceu
nem a serpente

e depois criou gente
de todo feitio e cor

Então,
enquanto criava
o Criador conversava
-com quem?-
com nossa amiga
a flor!

(Elza Fraga)

************************

Eu fui de embarcação
Com minha cara da indio
Calado e sisudo
O rio fazia ruído e me olhava de sua imensidão.
Eu descia, por vezes subia na contra-mão
E tocava o infindo
com a minha mão.
Calado e sisudo o rio fazia ruído em meu coração.
E via Deus, criador da razão sem ressalvas,
da arquitetura que me extasiava.
Com quem conversara
enquanto criava?

(Marco Antonio Barbosa Ferreira)

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

REMINISCÊNCIAS

.
E quando o vento
assoprava
aquele pio miúdo
que penetrava na alma
e  se engasgava no peito

a gente quedava mudo
cabeça baixa
no queixo

apertando entre os dedos
a ourela do casaco
puxando do fundo
o medo

E danava a relembrar
as coisas
[do nosso jeito]
desenterrava o desfeito

passando a limpo
o imperfeito
tirando a frio
do limbo
pedaços esparsos
do tempo

se chegando pela porta
de entrada do esquecimento

que mesmo sem ser presente
pressente
que vem tempestade

a qualquer momento.

(Elza Fraga)

Domingo, Agosto 30, 2009

AMNÉSIA

.
Perdoa se esqueci
seu nome
seu telefone

seu cheiro
seu jeito
seu cabelo no tapete

seu sorriso na boca farta
sua camiseta
na gaveta

Aproveita o drama
e levanta
a bunda
da minha cama

Desmama

(Elza Fraga)

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

DÁ NISSO

...
Correr atras de você
a cada novo sumiço
até perder todo o viço
afinalar meus cambitos
nos becos mais movediços
forçando um compromisso
enquanto escorrega omisso

rezar na sua cartilha
ceder a sua ousadia
perder a cabeça fria
crendo até em profecia
e esperar todo o dia
que a vida por ironia
decida a revelia
trazer numa ventania
toda a sua rebeldia
pra esta cama macia
onde descanso a agonia

e atiço o meu feitiço
quietinha
sem rebuliço
só pra lhe ver submisso

Dá nisso!

(Elza Fraga)

Terça-feira, Agosto 25, 2009

PEDAÇOS

Tenho uma tara
inconfessa

espiar
pela janela
entreaberta

sua vida
completa

Porque os cacos
já cá estão
quebra- cabeças

na minha mão

(Elza Fraga)

SAIDA ESTRATÉGICA

.
Saí de fininho
rabinho entre as pernas
que o caso era quimera

Aah, quem me dera
você fosse a vero,

mas nada é
'o que parece'

no mundo net!

(Elza Fraga)

INVOCACIONAL

.
Sempre mergulho com tudo
e tchabum
com o bumbum no chão

irracional, animal,
irreverente
pensamentos
ausentes
ou sem medida.

Nasci sem vocação,
[certamente]
pra esta merda
de vida

(Elza Fraga)

Domingo, Agosto 23, 2009

SE VOLTAR

.
Eu só quero
que me deixe
uma folha de papel
uma caneta

gosto de tinta preta

e pode fechar a porta
a chave
a cadeado
e sair pra vida

E pra bebida

Se lembrar
[e não estiver
muito aluado]
ao voltar
[sonso, calado]
traga uma pizza
calabreza,
cebola e alho

sem azeitona
por favor

Que minha prisão
meu amor
tem que ter regalia
se não
eu apresso
a alforria

Pago com poesia!

(Elza Fraga)

Segunda-feira, Junho 18, 2007

BRIGA DES-CASADA



Ele se virou, deu as costas, dormiu, roncou.
Ela chorou, se enfureceu, xingou, esbravejou.
Ele acordou, se irritou, ameaçou.
Ela respondeu, ofendeu, explodiu, implorou.
Ele encheu o saco, se vestiu, partiu.
Ela se vingou
Saiu nua pra varanda,
se exibiu...
--------------------------------
Quem quis, viu!

(Elza Fraga)

Quarta-feira, Junho 13, 2007

QUANDO TE FITO

.
Vejo a luz
explodindo em cores
num infinito.
Promessa de amores
numa gama colorida
numa gana do não dito

Quando te fito!

Vejo a paz imergindo,
voltando a tona
lavada e macia,
pousando no dia
tecendo o ninho
de pão e de vinho

quando te fito!

Vejo a lua
despencar dos céus
e vir aos gritos
acordar a rua
fazer visitas
namorar maluca

quando te fito!

Me vejo nua
nestes olhos teus
que tolos
não entendem
que sou tua
me vejo quente
embolando crente
os meus favores,
trançando vida
fazendo fita

quando te fito!

E vivo morta
E morro viva
- real e sonho -
- bem e desdita –

quando te fito!

(Elza Fraga)

Quarta-feira, Maio 23, 2007

MEMÓRIA DE PELE

JOÃO BOSCO



MEMÓRIA DE PELE
( João Bosco )

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que
meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha
carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei,
não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça
e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que
meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
a sonhar em vão
Cor vermelha,
carne da sua boca,
coração
.

Domingo, Maio 20, 2007

SONHA SEMPRE




O homem começa a envelhecer
quando as lamentações
começam a tomar o lugar dos sonhos.

(John Barrymore)

ૠৣৢॐৣৢૠ॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰

Que os seus sonhos sejam maiores,
sempre, que os seus anos neste plano;
porque até deixar de respirar é
menos fatal que deixar de sonhar.

(Elza Fraga)

Sexta-feira, Maio 11, 2007

BIPOLARIDADE






...Deixar-me e seguir sem ser,
apenas sendo menos eu,
e mais você,
sem saber ao certo
onde acabo, onde começo...

ૠৣৢॐৣৢૠ॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰॰

Tudo o que tenho
Para te falar
Trago no olhar

E nem percebes.

E me esmero
em tentar ser
o que tu queres
- o que eu
não quero –
pra te enredar.

E me empenho
Nesta luta vã,
- Sem amanhã –
dos meus dois eu:
O meu
e o teu

(Elza Fraga)

Sábado, Abril 28, 2007

CICATRIZES

.
A vida toda
Corri atrás
De utopias

Minhas manias

Amor direito
Filhos perfeitos
Feliz pra sempre

Só não sabia

Que o tempo
Escorrendo
Frio e feio
Rasgava ao meio
Os projetos
Que eu fazia

E fiquei
Com mãos vazias
A escrever

Triste esta história

Sem memória
de dias felizes
------------------
Só cicatrizes!

(Elza Fraga)
.

Sábado, Abril 14, 2007

O VERSO IMPERFEITO

.
Garimpar o texto
buscar a palavra perfeita
que falta
e encaixa sonora
e dá o desfecho sonhado...

Ah, o verso é um danado
teimoso nos escorre nos dedos,
num atropelo indomado
quando tentamos alcançá-lo!

(Elza Fraga)
.

Terça-feira, Abril 10, 2007

ATÉ NUNCA MAIS


.
╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗╔ﯖ ﯖﯖ═╗
.
Todas as vezes
que alguém lhe escorraça
você busca abrigo em mim
e acha!
Quando as coisas melhoram
pro seu lado
o elo principal
é então cortado
e você zarpa
sem tchau, sem beijinho,
só ponto final!
Não lhe peço pra lavar
a minha louça,
a minha roupa,
fazer minha comida,
beijar a minha boca,
pra me prender sequer
um grampo.
Eu mesma trampo!
Eu erro os meus próprios erros
e acerto os meus acertos
então não volte,
até nunca mais,
e me deixe viver minha vidinha
mesmo emburrada,
como você diz e acha,
.
mas sozinha!
.
(Elza Fraga)
.