Prefiro dias chuventos
aos ensolarados
demais,
que as ondas lambam meu cais,
eu me sustento
de pé
apesar de marear
um bom bocado
pra cada lado.
O sol não me dá equilíbrio,
desidrata a mente,
delinquente
me rouba a poesia,
e não me recompensa
o prejuízo
trazendo ruídos
de terras distantes
molhadas,
maresia espelhada
água salgada lavando
minha ausência de
juizo.
[elza fraga]
terça-feira, janeiro 14, 2014
terça-feira, agosto 27, 2013
EU NÃO SOU FLOR QUE SE CHEIRE
Se fosse você
não investia em mim
apostando fichas
em jogo de alto risco
- não valho tanto assim -
e até arrisco o aviso
com a placa de
"perigo,
não insista".
Deixa só a sua ausência
a me in-completar
que eu me viro...
[elza fraga]
segunda-feira, março 04, 2013
NÃO CHORE CHUVA, MEU RIO
Meu Rio tão triste
chorando chuva
miúda
lavando a dor
Ainda assim vela por nós
pelo olhar
do Cristo redentor.
Idoso querido,
insiste e persiste
sem cuidador,
a deriva
tentando vida.
Sente frio,
velhinho, velhinho,
aniversariante
com vela sem bolo
em cima de mesa.
Maquiado nas praias
de onde sai a sujeira
pra ser escondida
nas areias
longe,
bem periferia,
sem turista
sem defesa...
[elza fraga]
quarta-feira, fevereiro 27, 2013
JOGANDO A TOALHA
Cansei de lutar pela vida.
Idiotia!
Desde que nasci
já sabia
que esta
era
guerra perdida.
[elza fraga]
[elza fraga]
sexta-feira, novembro 30, 2012
EM BUSCA DO PASSADO
[Ao amigo eterno,
Fernando Toledo, poeta doce de escritos ácidos, que sempre me empurrava
pra além dos meus sonhos, incentivando vida!]
Saudade hoje
apertou o peito
estrangulando músculos
Saudade hoje
apertou o peito
estrangulando músculos
esmigalhando nervos
quando li texto de Fernando
garimpado em acervo
amigo.
Consola dizer que ele vive
enquanto viver
o que deixou escrito
na acidez da sua poesia?
Parece que o vejo
ainda aqui,
olhos fitos
em mim,
respondendo
com sua fina ironia:
"-Isso também é forma de vida,
querida elzita."
[elza fraga]
quando li texto de Fernando
garimpado em acervo
amigo.
Consola dizer que ele vive
enquanto viver
o que deixou escrito
na acidez da sua poesia?
Parece que o vejo
ainda aqui,
olhos fitos
em mim,
respondendo
com sua fina ironia:
"-Isso também é forma de vida,
querida elzita."
[elza fraga]
terça-feira, outubro 30, 2012
MEDICINA PREVENTIVA
[Robôtizada]
Será que já existe
um remédio certo
que faça o corpo
--desperto--
adormecer a mente
para todo
o sempre?
[elza fraga]
A PRESA DO APARTAMENTO...
[Um dia este apartamento ainda
engole, inteira, a sua presa!]
O pássaro
fêmea
fazendo ninho
preparando nova vida
enquanto
o macho
vela,
o grito da criança
no parquinho
assustando
as cores
da primavera,
o moço com idéias
suicidas
cotovelos na janela,
a música alta
do vizinho,
o sorriso e a moça
da faxina
no hall do prédio...
Consegui,
hoje saí
da rotina
nem me deram tempo
pra curtir o tédio.
[elza fraga]
preparando nova vida
enquanto
o macho
vela,
o grito da criança
no parquinho
assustando
as cores
da primavera,
o moço com idéias
suicidas
cotovelos na janela,
a música alta
do vizinho,
o sorriso e a moça
da faxina
no hall do prédio...
Consegui,
hoje saí
da rotina
nem me deram tempo
pra curtir o tédio.
[elza fraga]
quinta-feira, outubro 04, 2012
PEDAÇOS
Tormenta
desespero
sussurra o suspiro,
mente em labirinto,
perder amigo
é como recado
sucinto
como cerca de murta
avisando:
A vida é curta.
[elza fraga]
quinta-feira, setembro 20, 2012
APELO
Essa noite
deixa a paz
entrar pelas frestas
das portas
que não se fecham
inundar todos os cantos,
só um pouquinho.
Essa noite
deixa a lua clarear
devagarinho
a moradia
das almas
vazias de luz
inchadas de pranto,
só um pouquinho.
Essa noite
deixa o descanso embalar
quem não sabe
fazer o encanto
de mandar a dor
passear
no mais escondido
recanto,
só um pouquinho.
Essa noite
leva pro seio do mundo,
pro buraco mais profundo,
o medo e a desesperança,
e nos torne, a todos,
crianças
confiantes no caminho,
só um pouquinho!
[elza fraga]
sexta-feira, setembro 07, 2012
PRISIONAL
Penso
e não saio do lugar
presa as convicções
antigas.
E qual formiga
sigo
a carregar
a minha folha
na interminável
fila.
[elza fraga]
domingo, agosto 19, 2012
REFLEXO
Quando novamente
conseguirei te encarar
espelho
dos meus pesadelos?
...
E ver ,desesperada,
a face transtornada
transformada
por nada!
[elza fraga]
RAIO X DA INÉRCIA
Fotografias,
raio x da trajetória
com esqueleto a mostrar
a cicatriz
e as placas que adquiri
vivendo minha história
[peças defeituosas
trocadas,
sem matriz]
com um final
passivamente
in-feliz!
[elza fraga]
vivendo minha história
[peças defeituosas
trocadas,
sem matriz]
com um final
passivamente
in-feliz!
[elza fraga]
LIÇÃO PERDIDA
Que este coração
partido,
emendado,
remendado,
e mesmo assim
com os beirais
ainda quebrados,
me sirva de lição.
Que eu tenha aprendido
finalmente
que não se brinca,
atrevida,
com a vida
mudando a já traçada
direção,
impunemente.
[elza fraga]
ainda quebrados,
me sirva de lição.
Que eu tenha aprendido
finalmente
que não se brinca,
atrevida,
com a vida
mudando a já traçada
direção,
impunemente.
[elza fraga]
terça-feira, agosto 14, 2012
A SUA BÊNÇÃO PAI
Pai
se ainda for de alguma serventia
meu testemunho
de como valias
teu peso em ouro
pra cada filho
que amparaste
com teu carinho
e tua mão segura.
Eis aqui minha palavra
o meu "sou grata".
A vida te levou
por um caminho
que faz vibrar de dor
as cordas da minha alma.
Mas sei que Deus te reserva
um futuro
cheio da graça
que só recebe os puros.
E esta fé
é o que me consola
e basta.
[elza fraga]
pra cada filho
que amparaste
com teu carinho
e tua mão segura.
Eis aqui minha palavra
o meu "sou grata".
A vida te levou
por um caminho
que faz vibrar de dor
as cordas da minha alma.
Mas sei que Deus te reserva
um futuro
cheio da graça
que só recebe os puros.
E esta fé
é o que me consola
e basta.
[elza fraga]
ODE A MEDICINA
[Quem me conhece vai entender.
Quem não me conhece, por favor, se previna...
Como dói a medicina!]
Tantos me mostraram o caminho
ora a esquerda, ora a direita,
que de tanto desviar
tentando me encontrar,
deixando os próprios pedaços
pra marcar a volta,
me deparei imperfeita
no final da rota
com peças faltosas
que nem consigo mais achar.
Montei malfeita
a figura
neste meu quebra cabeças
de amargura
onde não consegui localizar o principal
o coração onde mora
toda a ciência
do bem
do mal.
Por isso esse olho tão vazio
querendo esquecer o que sentiu
por isso essa alma que fugiu
por isso esse corpo
feito no fio
do frio
gelado como o desafio
de quem sentiu que morreu,
visitou a morada
além do portal mágico
atravessando o rio,
se despediu
voltou
sobreviveu.
[elza fraga]
ora a esquerda, ora a direita,
que de tanto desviar
tentando me encontrar,
deixando os próprios pedaços
pra marcar a volta,
me deparei imperfeita
no final da rota
com peças faltosas
que nem consigo mais achar.
Montei malfeita
a figura
neste meu quebra cabeças
de amargura
onde não consegui localizar o principal
o coração onde mora
toda a ciência
do bem
do mal.
Por isso esse olho tão vazio
querendo esquecer o que sentiu
por isso essa alma que fugiu
por isso esse corpo
feito no fio
do frio
gelado como o desafio
de quem sentiu que morreu,
visitou a morada
além do portal mágico
atravessando o rio,
se despediu
voltou
sobreviveu.
[elza fraga]
quinta-feira, agosto 02, 2012
SÚPLICA
Fica
mesmo que seja
um sacrifício intenso.
Mesmo que
cada momento
pareça dia
pareça mes
pareça ano.
Não vou cobrar
nunca
um "eu te amo"
da sua boca
nas horas
em que o peito
transbordar desdita.
Vou viver ao sabor
do tempo
como a louca
que se compraz
com as migalhas
caídas e levadas
pelo vento
espargidas
sobre o catre
onde ainda ouso
querer vida.
[elza fraga]
cada momento
pareça dia
pareça mes
pareça ano.
Não vou cobrar
nunca
um "eu te amo"
da sua boca
nas horas
em que o peito
transbordar desdita.
Vou viver ao sabor
do tempo
como a louca
que se compraz
com as migalhas
caídas e levadas
pelo vento
espargidas
sobre o catre
onde ainda ouso
querer vida.
[elza fraga]
sábado, julho 28, 2012
RIO DO MEDO
Um rio largo
navegado até o meio
fugindo da margem
com medo do homem
que mata seu peixe
mesmo sem fome.
Raça humana?
Eu daria outro nome!
[elza fraga]
mesmo sem fome.
Raça humana?
Eu daria outro nome!
[elza fraga]
quarta-feira, junho 20, 2012
LA LOBA
Morre
que te quero viva
trapeira andante
que mora no meu peito.
... Morte é tranformação
adubo para vida nova
vivida de um outro jeito
menos cérebro
e mais coração.
Só te sufocando
até teu voo livre
alçar os espaços
terei
por fim
controle
dos meus passos.
[elza fraga]
terça-feira, maio 22, 2012
POEMA DA SAUDADE
[Para meu amigo Nenem Francisco Fraga,
nestes quase oito meses de saudade]
nestes quase oito meses de saudade]
Se tivesse um novo amigo
da raça canina
teria nome de flor
fosse menina.
De filósofo
macho fosse
só pra dar leveza,
pois
não haveria de querer
pequeno,
destes de aconchego
teria que ser grande
com os olhos mansos
mas acesos.
Olhos que me seguissem
na vigília
e me vigiassem
enquanto dormisse.
Teria que ter harmonia
nos passos lentos
e na correria.
Mas a saudade do meu pequeno
que atravessou
o portal mágico
e me deixou com o coração
faltando um pedaço
não me deixa
colocar um outro amigo
pra preencher o vazio.
Seria como tentar substituir
o insubstituível.
E cada vez que cantasse
pra que o novo amigo
se aninhasse
entre meus braços,
seria sempre a mesma cantiga
antiga
que cantava
para o que ainda ocupa
minha saudade
e choraria,
Não aprendi a fingir
felicidade.
[elza fraga]
terça-feira, maio 08, 2012
AMNÉSIA
Joguei
de vez
o passado fora
Agora vivo só
este momento
que escorre
no meu dedo
pelo vento
e vira outro
e mais outro
vida afora.
Sacudi das costas
todas as bostas que fiz
lá bem atrás
sem remorso,
sem briga,
na derradeira tentativa
de estar feliz.
[elza fraga]
este momento
que escorre
no meu dedo
pelo vento
e vira outro
e mais outro
vida afora.
Sacudi das costas
todas as bostas que fiz
lá bem atrás
sem remorso,
sem briga,
na derradeira tentativa
de estar feliz.
[elza fraga]
Assinar:
Postagens (Atom)















