quarta-feira, abril 21, 2010

A CARA DA DONA MORTE

Desejei
com tanta fé
a morte

na hora do desespero
da dor do medo

que ela veio,

bateu a minha porta
entrou
sentou no leito
me aninhou no peito

pegou a minha mão,
com bondade
me consolou

me agasalhou
com a coberta
da piedade

e quando eu já
me julgava
praticamente morta
de verdade

ela riu,

saiu correndo
gritando

Primeiro de abril
Primeiro de abril

Mas conheço agora
a figura

e mesmo sendo ela
uma doida,
sem compostura

da próxima
ela não rapa
fora
e nem me escapa

Me mata!

(Elza Fraga)

7 comentários:

Lara Amaral disse...

Imagino o tanto que esse poema tem a dizer, e a dona morte, e vc.

Beijo, querida.

Elza Fraga disse...

Como dizia o poeta

Eu vi a cara da morte
e ela estava viva

Rsrsrs

Mas foi um papo frutificante,
rendeu saldo positivo,
e novas esperanças de primaveras a vista.

Bitokitas, Larinha!!!

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo, querida Elza! Faz pensar...
Mil beijos

Marcantonio disse...

Nossa, fui surpreendido por esse poema! Será que ela cobra a visita? Desconfio que já topei com ela por aí, nas ruas. Não trocamos palavra, mas me acena com a cabeça, olhar íntimo de quem conhece o meu futuro.

Obrigado pela lição. Um abraço.

Elza Fraga disse...

Marcantonio,
primeiro brigadim pela visitinha.
Mas sabe que a cara da D. Morte nem é tão feia quanto pintam?
Bem, no meu caso teve cobrança, rs, a conta da farmácia, a do hospital, do CTI, tô indo de trás pra frente pra não assustar vc, rsrs.
Mas ela conhece, e bem, o futuro da gente, só que é bem humorada [ou foi comigo] e brinca de é agora, não é, é, não é. Rs.
Ela é doidinha, isso sim!
Vê se isso é jeito de morte decente? Vir só assustar?

Bitokitas, luz e VIDA!

Elza Fraga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elza Fraga disse...

A postagem acima foi excluída por duplicada. Caiu o mesmo comentário duas vezes. Desculpem o blog maluquinho