sábado, julho 31, 2010

INSTANTES MORTOS


Salvador Dali [Person at the Window]
.
Escreverei
[e quanto!]
coisas prestáveis
e nem tanto

coisa de riso
coisas de pranto

e os incautos
ao lerem os meus versos
dirão de mim

Foi só uma poeta sonhadora
que pensava entender
todo o universo
mas, no fundo,
era apenas uma tola
que rabiscava versos

no  afã
de exorcizar seu mundo
completo
de fantasmas
e de dores,
nunca amores


Mas eu saberei
[por todo o tempo]
a verdade
morante em cada linha
versejante

É só a tentativa
alucinante
de beber

felicidade
a cada torto
instante

morto!

(Elza Fraga)

6 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Lindíssimo, Elza!
"Escreverei
coisa de riso
Coisas de pranto"...
O que é de pranto, no plural: que encanto! É a vida...
Enorme abraço, todo entremeado de saudade, minha amiga!

Elza Fraga disse...

Oi, Zélia, que bom ler seu comentário.
E vc pegou a idéia central, rs.
Riso no singular porque pranto, neste mundo, só no plural, rs.

E é verdade: É a vida!
E contra ela somos pedrinhas minúsculas de beira de mar,
grãos de areia.
Não podemos brigar com o rochedo,
nem com a imensidão do oceano.
É parar e deixar a vida passar 'ao' nosso lado, ou 'do' nosso lado,
é uma escolha difícil! Rsrs.
Bitokitas e muita luz.

Lara Amaral disse...

Pelos menos estamos todas, tolas, juntas nessa. ;)

Beijo em seu core.

Elza Fraga disse...

Rsrsrs, verdade, Larinha, somos tolos porque somos poetas e em toda a história da humanidade os poetas foram vistos como tolos, sonhadores, românticos e vivendo um mundo a parte, irreal.
Quando na verdade somos nós que enxergamos mais longe, onde o olhar do esperto comum não alcança.

E todas, tolas, juntas nessa, foi um achado retórico e tanto, rsrsrs!

Bitokitas e que a luz esteja com você.

Ava disse...

"Mas eu saberei
[por todo o tempo]
a verdade
morante em cada linha
versejante"

Ah, minha querida.... Quanta verdade em tão poucas linhas.

Quantas vezes despejamos nossa vida nos versos que escrevemos... Quê os lê, nem imagina, o sangue que escorre por entre na as letras...

Beijos e saudades minhas!

Elza Fraga disse...

Oi, Ava, saudades!
E é verdade! Como escorre sangue, agora, pelas pontas do meu word, rsrs, quando teimo em escrever poemas.
Acho que nos contos, 'conto a vida dos outros', rsrs, o sofrimento se distancia.
Até porque este
"conto a vida dos outros",
é meio in-verdade, os 'outros' dos meus contos são invencionices desta minha cabeça doidinha.

Bitokitas, luz e poesia, sempre, procê!